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Por que Pessoas Criam Línguas?

  • Foto do escritor: Allamej Language
    Allamej Language
  • 17 de out. de 2024
  • 3 min de leitura

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O termo "conlang" se refere a línguas planejadas, construídas ou artificiais. Eu criei uma língua no final da década de 1990, quando tinha 17 anos: o allamej ou alamês. Devo ter tido razões inconscientes para isso, mas o que posso dizer é que eu simplesmente amava idiomas e culturas e queria misturá-los o máximo que pudesse. Eu havia tido contato com o esperanto, mas, honestamente, não fazia ideia de que "construir línguas" era algo mais comum do que eu esperava. Agora, depois de estudar Semiótica Psicanalítica - Clínica da Cultura na PUC-SP, e focar na criação de línguas e nos aspectos linguístico-culturais que segregam a humanidade, acredito que esse fenômeno tenha muito a dizer. Vamos começar com uma breve introdução.


Embora pareça um assunto novo, a construção de línguas já é explorada há muito tempo. O conceito mereceu o interesse do semioticista Umberto Eco, tendo relevância em sua obra "A busca pela língua perfeita". Essa abordagem é feita em ordem cronológica, começando na Grécia e, em seguida, na mitologia abraâmica, mencionando ninguém menos que Deus transferindo a linguagem a Adão e depois confundindo as línguas na narrativa da Torre de Babel.


Eco foca na Europa e nos momentos em que a busca por uma solução linguística para a insatisfação com aspectos das línguas naturais se entrelaça com importantes movimentos filosóficos da história da humanidade. Nos momentos finais da narrativa, são mencionadas as línguas construídas, como Volapük e Esperanto. Ele também menciona a criação de centenas de projetos de línguas artificiais durante os séculos XVII e XVIII.


Com base no site da Sociedade de Criadores de Línguas (Language Creation Society), da qual sou afiliado, e nos grupos de redes sociais, é possível estimar que hoje existam milhares de línguas construídas, com uma grande diversidade de finalidades.


Outro especialista que merece destaque é o linguista David J. Peterson, co-fundador da Sociedade de Criadores de Línguas e criador de diversas línguas artificiais, entre elas, Dothraki e as línguas Valyrianas faladas na série da HBO, Game of Thrones. Autor do livro "A arte de inventar línguas", Peterson narra o fenômeno da criação de línguas, mencionando aspectos emocionais, características e classificações das línguas construídas atualmente, e apresenta um guia com itens estruturais para a construção de línguas.


As línguas construídas frequentemente constituem um portal para formas de pensar e culturas alternativas à realidade conhecida. Palavras são criadas com conceitos diferentes, alfabetos, fonéticas e estruturas que, por si, consistem em signos que traduzem realidades diferentes das existentes.

Segundo Peterson, para que a língua criada tenha alguma audiência, ela deve estar ligada a um propósito, com base no pensamento de J. R. R. Tolkien durante a criação do élfico. Isso reforça a ideia de vínculo entre língua e cultura, mesmo no caso das línguas artificiais, que podem ter diversas motivações, como facilitar a comunicação entre diferentes povos, aproximando-os.


As línguas artificiais podem ter classificações tão diversas quanto as características estruturais, finalidades e inspirações que a criatividade pode atingir. Com isso em mente, a classificação que segue tem como base David J. Peterson (2015, p. 18), uma das obras mais recentes e abrangentes na área:


  • Dothraki: Língua falada por um povo nômade na série Game of Thrones. Criada por David J. Peterson em 2009.

  • Esperanto: Língua auxiliar internacional criada pelo polonês judeu Ludwik Lejzer Zamenhof em 1873. Baseada em línguas indo-europeias, sendo três quartos provenientes de línguas latinas, germânicas ou eslavas.

  • Interlingua: Língua auxiliar internacional criada em 1951 pela International Auxiliary Language Association, localizada em Nova Iorque. Desenvolvida essencialmente pelo linguista de origem alemã, Alexander Gode, fundamenta-se amplamente no léxico latino.

  • Klingon: Língua fictícia dos aliens de Star Trek. Criada por Gene L. Coon por volta de 1967.

  • Lojban: Língua criada com o propósito de respeitar os princípios da lógica. Criada por James Cook Brown, em 1921.

  • Na'vi: Língua fictícia falada pelos extraterrestres de Pandora, no filme "Avatar". Criada por Paul Frommer por volta de 2005.

  • Valyrian: Língua fictícia criada para a série Game of Thrones. Possui uma forma clássica e dialetos descendentes, semelhante ao que ocorre com o português e o francês em relação ao latim. Criada por David J. Peterson em 2009.

  • Volapük: Língua auxiliar internacional criada pelo padre alemão Johann Martin Schleyer em 1879. Baseada principalmente no inglês, com consideráveis mudanças na estrutura das palavras.


Durante minha pesquisa, conheci muitas outras línguas construídas com características e objetivos variados, especialmente no grupo Conlang do Facebook. Pode haver milhares de línguas construídas atualmente. Cada uma é um mundo incrível, pronto para ser desvendado e profundamente estudado.

A humanidade geralmente é passiva em relação à língua, aprendendo o que já existe. Criar línguas é um movimento contrário à nossa passividade em relação à língua e à cultura, representando uma mensagem para nossa espécie. Deixo este site para quem quiser conhecer mais sobre o assunto e sobre a língua híbrida que criei, assim como a mensagem de união e respeito à diversidade.

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